UM PARCEIRO ESTRATÉGICO PARA O FINANCIAMENTO DO DESENVOLVIMENTO EM ÁFRICA
P1: Senhor Henri Marie DONDRA, é o Diretor-Geral do FAGACE, pode falar-nos um pouco sobre esta instituição pan-africana?
HMD: Antes de mais, gostaria de agradecer a oportunidade que me foi dada de falar sobre o Fonds Africain De Garantie et de Coopération Economique (FAGACE), que é uma instituição financeira especializada na promoção do investimento público e privado.
Criado em 1977 com um capital de 5 mil milhões de FCFA, o FAGACE tem por objetivo contribuir para o desenvolvimento económico e social dos Estados membros, garantindo empréstimos produtivos a médio ou longo prazo, bonificando as taxas de juro de projectos públicos, prolongando os prazos de crédito, financiando diretamente projectos de desenvolvimento, adquirindo participações no capital social de empresas nacionais ou regionais e gerindo fundos por conta de terceiros. O seu capital social é de 200 mil milhões de FCFA. Tem 14 Estados membros e a sua sede é em Cotonou, na República do Benim.
P2: Como resumiria as suas actividades?
HMD: Em 31/12/12, o financiamento de garantias do Fundo ascendia a 294 mil milhões de FCFA. Graças ao efeito de alavanca deste mecanismo de intervenção, o Fundo injectou recursos financeiros significativos nas economias dos países em causa, estimados em mais de 1 200 mil milhões de FCFA para projectos de desenvolvimento nos sectores económicos prioritários da agroindústria, energia, indústria e telecomunicações. A participação do sector privado é de 70%. A execução destes projectos contribuiu não só para a criação de riqueza, mas também para a criação de milhares de postos de trabalho nos Estados Membros.
O Fundo contribuiu igualmente para o financiamento de grandes projectos através de bonificações de juros. O apoio do Fundo a este tipo de intervenção permitiu a mobilização de 240 mil milhões de FCFA. Este apoio contribuiu para melhorar a qualidade de vida das populações, dinamizar o comércio inter-regional e criar empregos suplementares;
P3: O que mudou desde a sua nomeação como Diretor-Geral em 2010?
HMD: Os últimos três anos foram dedicados ao reforço da capacidade de intervenção do Fundo, ao alargamento da sua base de accionistas e à gestão da sua carteira de projectos. O seu capital social foi aumentado de 100 mil milhões de euros para 200 mil milhões de euros e foram subscritos mais 16,3 mil milhões de euros. Além disso, dois novos países, o Congo e o Chade, aderiram ao Fundo com contribuições de 06 mil milhões de FCFA e 05 mil milhões de FCFA, respetivamente, aumentando o número de países membros de 12 para 14.
No plano operacional, o acompanhamento rigoroso dos projectos que beneficiam das intervenções do Fundo permitiu obter resultados positivos durante os exercícios de 2010-2011 e mesmo de 2012. Tudo isto foi conseguido com o apoio constante do Conselho de Administração, que criou um Comité de Auditoria cuja principal tarefa é acompanhar a gestão financeira e contabilística do Fundo.
P4: Existe um desequilíbrio nas intervenções nos países membros, nomeadamente no seu país, a República Centro-Africana.
HMD: Tem toda a razão, as operações do Fundo na RCA continuam a ser reduzidas, apesar do nosso firme empenhamento em apoiar os países mais desfavorecidos. Como sabe, o apoio de uma instituição a um país depende do dinamismo económico desse país.
Infelizmente, a RCA continua a atravessar uma série de crises políticas e económicas que não favorecem o aparecimento de operadores económicos, nomeadamente privados, nem a realização de projectos que poderiam beneficiar do nosso apoio.
P5: Qual é a sua opinião sobre os últimos acontecimentos no seu país?
HMD: Fiquei profundamente triste com a crise político-militar, que se agravou. Infelizmente, não deveria ter chegado a este ponto. No entanto, congratulo-me com os acordos de Libreville, que vieram acalmar a situação. Gostaria de exortar os meus compatriotas a mostrarem tolerância para com uma República Centro-Africana unida, de modo a podermos combater eficazmente os males económicos que estão a travar o desenvolvimento do país.
P6: As suas últimas palavras, Senhor Diretor-Geral.
HMD: No âmbito da execução do seu plano estratégico 2012-2015, o FAGACE continua aberto e disponível para apoiar o financiamento de projectos públicos e privados em todos os sectores (agricultura, pecuária, indústria, energia, telecomunicações, transportes, turismo, hotelaria, saúde, educação e infra-estruturas de base). Em 2013, as capacidades operacionais do Fundo serão reforçadas, em parte graças à mobilização de novos recursos, nomeadamente nos mercados financeiros CEMAC e offshore, o que deverá conduzir, a curto e médio prazo, a um aumento dos financiamentos do Fundo em todos os Estados membros da instituição.



